Treinador-chefe da Seleção vai pedir suspensão de velocista após críticas

6 set 2013

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As declarações da velocista Vanda Gomes, de 24 anos, após a decisão do revezamento 4x100m feminino no Mundial de Moscou (relembre a prova no vídeo ao lado), no domingo, seguem repercutindo na Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Na ocasião, depois da eliminação por ter deixado o bastão cair no chão na passagem com Franciela Krasucki quando o Brasil estava em segundo, ela criticou a entidade e disse que, além de faltar treinamento, as atletas dormiram e comeram mal. A polêmica ganhou um novo capítulo nesta terça-feira: o treinador-chefe da delegação brasileira na Rússia, Ricardo D’Angelo, afirmou que pedirá a suspensão da velocista por um período de seis meses a um ano.
É inadmissível e vou recomendar o período de seis meses a um ano”
Ricardo D’Angelo

Para ele, a atitude foi inaceitável, e a atleta deverá mesmo ser punida. Além disso, D’Angelo conta que, apesar do episódio não atrapalhar o projeto do revezamento 4x100m feminino iniciado em 2008, pode haver uma refomulação no grupo com a entrada de algumas velocistas mais jovens. Segundo ele, houve uma reunião entre membros da CBAt e da delegação ainda em Moscou para conversar sobre o assunto e relatórios sobre o episódio serão preparados por cada um deles.

– As declarações dela à imprensa logo após o revezamento não refletem a verdade. Ela mencionou que não foi treinada, que estava passando fome. Isso não é a realidade. Estamos em um projeto do revezamento desde 2008, no feminino, temos desenvolvido isso ao longo de seis anos. Todos os cuidados são tomados, tanto do ponto de vista técnico quanto logístico. Talvez por decepção ou nervosismo ela declarou essa série de inverdades. Isso não é um comportamento aceitável. É inadmissível e eu vou recomendar o período de seis meses a um ano. Eu acho que não prejudica o trabalho no todo. Temos meninas novas de qualidade chegando na seleção. É só a gente reformular, que vai ter um time forte. Por um detalhe técnico não veio a medalha em Moscou, mas temos outras atletas mais jovens de alto nível que provavelmente terão chances – comentou D’Angelo, acrescentando que o pedido deve precisar passar por uma audiência no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) antes de ser dada uma pena à velocista.

Segundo D’Angelo, seria melhor se Vanda tivesse admitido que houve uma falha na passagem, que culminou na saída do Brasil da competição sem alcançar medalhas. Afinal, na etapa de Londres da Diamond League, em julho deste ano, ela esperou o bastão na baia errada, mas não aconteceu nenhuma polêmica por conta disso.

– Ela cometeu um erro em Londres, no revezamento, em que esperava o bastão na raia errada. Mesmo assim, todos entenderam que aquilo foi uma coisa que aconteceu no momento. A gente esperava que não acontecesse mais. Foi dado todo o crédito a ela. Falhas técnicas existem, podem ocorrer. Ela mesma protagonizou uma há um ano atrás. A gente treina, treina, treina e acontece. Seria mais razoável da parte dela admitir o erro. Quando trabalhamos nesse nível alto de exigência, de detalhes técnicos, temos grande risco de errar. Os Estados Unidos correram sobrando na semifinal e ficaram em terceiro na decisão – lembrou.

Sobre uma suposta briga interna entre as atletas da seleção brasileira de atletismo, D’Angelo afirmou que não tem conhecimento. Para ele, o jeito de Vanda Gomes é diferente. Mesmo assim, diz que não percebeu nenhum problema enquanto esteve com as meninas em Moscou.

– Eu já estive com a Vanda e todas as meninas da seleção desde 2008. Ela é uma atleta diferente, tem seu jeito de ser e entender as coisas. Ela tem um histórico de problemas disciplinares no passado, mas nem por isso a qualidade técnica dela foi deixada de lado, absolutamente. Sempre que ela esteve no time por conquistar a vaga por qualidade técnica, a presença dela foi respeitada. Particularmente em Moscou, eu não notei absolutamente nada dela não estar integrada ao grupo.

No desembarque do grupo nesta terça-feira, Vanda Gomes afirmou ter sido “pega para Cristo” e que estava “sendo injustiçada” pelo episódio. Ana Claudia Lemos, por sua vez, relatou que a companheira se mostra fora do time e, a todo momento, deixou a mágoa evidente. Franciela Krasucki foi mais política e disse que as críticas podem refletir uma opinião individual da colega. Rosângela dos Santos não desembarcou junto com o restante da delegação, a atleta chegou ao país nesta segunda-feira e afirmou que a troca com Vanda era prevista, mas não deixou de criticar a companheira de equipe.