Para lapidar delegação, CBAt divulga plano emergencial de olho no Rio 2016

20 dez 2013

A bandeira brasileira ficou fora do pódio durante o Mundial de Atletismo de Moscou, em agosto. Para que a cena não se repita durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) promoveu um Fórum Técnico com participação de 152 treinadores do alto rendimento para alinhar medidas do plano emergencial da modalidade para os Jogos. Além da preocupação com as categorias de formação, a entidade apresentou novos critérios – e mais exigentes – para a convocação da delegação nacional em grandes eventos internacionais (Jogos Pan-Americanos, Olimpíadas e Mundiais). A ideia da CBAt é concentrar esforços nos talentos já existente para formar uma equipe menor, porém mais qualificada.

– Para formar um atleta demora oito anos, por isso estamos fazendo um plano emergencial. Vamos pegar o que já temos de talentos, atletas que estão no Top 20 do mundo, especialmente nos Top 10. Vamos ter uma ideia bacana no Mundial de 2015. Mudará muito pouco no Rio 2016. Nós estamos sonhando com 2016, mas temos de pensar a longo prazo, para 2020 e 2024. O atletismo vai tentar ajudar, mas não vai salvar a vida do Brasil – disse Antonio Carlos Gomes, o superintendente de alto rendimento da entidade.

– Toda nossa energia está sendo canalizada para melhorar os resultados no Mundial de Pequim (em 2015) e nas Olimpíadas – completou o presidente José Antonio Martins Fernandes, o Toninho, que evita metas de medalhas nos Jogos do Rio.

Em acordo com os técnicos brasileiros, a CBAt estabeleceu como parâmetro para convocar atletas que tenham conquistado não apenas o índice A, mas que estejam também no Top 30 de sua prova ao fim do período de classificação. Até o Mundial de Moscou, a entidade estabelecia um índice próprio com base nos resultados do 12º colocado em cada prova nos últimos mundiais e olimpíadas. Em alguns casos, a marca era mais forte que o índice A da IAAF, em outros, mais baixo até do que o índice B, uma marca secundária.
– Não vamos levar para as competições simplesmente quem fez o índice. Ele precisa estar entre os 30 primeiros do mundo. Fala-se que a IAAF pode apertar os índices. Neste caso, o indicador do Top 30 não será mais necessário. Se ultrapassarem o atleta no fim, ele fica em casa, assistindo pela TV e se preparando para a próxima competição – disse Antonio Carlos.

Além disso, os atletas devem conquistar os índices até 30 dias antes da competição – esse prazo era menor, chegando a 15 dias antes. Assim, a CBAt espera eu os atletas com índice consigam se recuperar para repetir o pico de performance durante a competição, tanto que haverá premiação para atletas que fizeram a melhor marca da carreira durante o mega evento, além das tradicionais bonificações por medalhas – os valores ainda não estão estabelecidos e só serão aprovados em março de 2014.

As novas regras não valerão para o Mundial Indoor de Sopot, na Polônia, agendado para março do ano que vem. Isso porque o período de classificação já está em vigor e alguns atletas estão garantidos na competição, como Fabiana Murer, Mauro Vinícius Silva, Thiago Braz e Augusto Dutra.

O encontro ainda estabeleceu que a delegação brasileira intensificará as clínicas no exterior. A CBAt estuda a criação de uma base verde-amarela na Europa, possivelmente em Portugal por causa da proximidade da língua e da culinária. Haverá também cinco centros nacionais de treinamentos (alguns já em funcionamento, como o de Uberlândia) e dois centros de treinamentos de alto rendimento para atender exclusivamente à elite brasileira (um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro).
Garimpando talentos

Além da mudança nos critérios de classificação para grandes competições internacionais, o Fórum Técnico também debateu medidas para a lapidação da delegação e dos talentos em desenvolvimento. O primeiro ato foi o estabelecimento de cinco grupos de provas com um técnico responsável cada para facilitar a comunicação com a CBAt. Será criada a escola nacional de treinadores, um ranking de técnicos, a montagem de uma equipe científica multidisciplinar e um banco de dados para acompanhar os jovens em formação.
Os atletas das categorias de base, aliás, receberão bolsas se estiverem no Top 10 (nível 1) ou no Top 20 (nível 2) – entre os adultos, os Top 20 já recebem benefício do Bolsa Pódio, do Ministério do Esporte, e os Top 30 terão apoio financeiro da CBAt.

Esses recursos serão estendidos aos técnicos e saíram do orçamento do patrocínio da entidade com a Caixa Econômica Federal – o contrato é de 16 milhões por ano e corresponde a mais da metade do orçamento da

CBAt, que deve ficar próximo dos R$ 30 mi em 2014.
Outro trabalho da entidade para garimpar novos atletas é uma parceira com o InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP) para fazer um mapeamento genético dos principais atletas do país. Assim, a CBAt espera poder compara os jovens com os campeões brasileiros e direcioná-los para provas em que tenham mais aptidão.