Após Mundial sem medalhas, CBAT adota plano emergencial para 2016

6 set 2013

1Dezoito hinos nacionais soaram no estádio Luzhniki, não o brasileiro. A bandeira verde-amarela sequer foi erguida como as de outros 38 países. O Brasil deixou o Mundial de Atletismo em Moscou zerado, sem medalhas, justamente no início de um ciclo olímpico em que será o anfitrião. Apesar do desempenho um tanto tímido, a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), que evitava fazer projeções antes da competição, ressalta o crescimento do número de finalistas como ponto positivo.

– A primeira coisa no nosso projeto é ter maior número de finalistas, não dá para falar de medalhas antes disso. É preciso tornar habitual chegar à final para depois falar em medalhas. Isso aconteceu. Tivemos finalistas em diferentes provas. Dentro da competição, nasce a possibilidade de medalha. O salto em distância e o revezamento 4x100m rasos tiveram essa chance. O Duda ficou a três centímetros do pódio, escapou por muito pouco. No revezamento, foi uma falta de sorte muito grande. Vínhamos para a medalha, quando o bastão caiu – disse Antonio Carlos Gomes, superintendente de alto rendimento da CBAt.

Em Moscou, o Brasil colocou oito atletas no Top 8 de suas provas, e ainda teve Augusto Dutra como o 11º do salto com vara, dentro da final. Esses números são melhores que os da edição de Daegu, Coreia do Sul, em 2011, quando apenas quatro brasileiros entraram no Top 8, além das finalistas Maurren Maggi, na 11ª posição do salto em distância, e Keila Costa, 12ª do salto triplo. No entanto, o título de Fabiana Murer no salto com vara, único ouro do país em Mundiais, minimizou o baixo número de finalistas.

A diferença deste Mundial para os últimos é o investimento maior da CBAt, que bancou campings internacionais para os principais nomes brasileiros. Ainda assim, o resultado não veio. Antonio Carlos explica que a entidade está sob nova direção – ele mesmo está no cargo de superintendente há menos de seis meses. Presidida por José Antonio Martins Fernandes, a gestão iniciou uma reestruturação focada no desenvolvimento da base e só deve começar a colher frutos para as Olimpíadas de 2020. Para os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, a entidade direciona seus investimentos nos destaques como um plano emergencial.

– Politicamente, não tenho preocupação. É um projeto que está começando. O Mundial é o resultado de um trabalho anterior, quando não havia grande investimento, porque um campeão não é formado da noite para o dia. Temos três anos para melhorar. Pensei que fosse ainda mais difícil quando entrei. Pode clarear alguma medalha para 2016 – disse Antonio Carlos.

O fato de o Brasil não ter subido ao pódio em Moscou não mudará o plano emergencial da CBAt para o Rio 2016. O projeto contemplará os atletas no Top 20 de suas provas e os revezamentos que estiverem no Top 10. Eles receberão suporte financeiro do Ministério do Esporte, apoio com estrutura de treinamento oferecido pela CBAt, além de viagens para competições e camping internacionais bancados pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Atletas jovens no Top 40 também serão prestigiados. No entanto, a entidade máxima do atletismo pretende afunilar esse grupo ano após ano.