Apesar de dificuldades, Sandro Viana mantém sonho por medalha olímpica

30 set 2013

Após se recuperar de uma tendinite no joelho, que o atrapalhou no primeiro semestre deste ano, Sandro Viana, de 36 anos, voltou aos treinos na Vila Olímpica de Manaus e faz planos para os próximos anos. Com duas participações em Olimpíadas, o velocista amazonense ainda mantém o sonho de conquistar uma medalha olímpica ou de Mundial.

– O sonho é o combustível. O meu tanque ainda tem combustível. Vejo que de todas as medalhas no planeta só não conquistei o Mundial e as Olimpíadas. Meu sonho é baseado neste ponto – explicou o atleta, que tem 13 medalhas do Troféu Brasil, sete no Sul-Americano, seis no Ibero-Americano, duas nos Jogos Pan-Americanos, além de uma no Mundial Universitário.

E, para chegar ao sonho, o atleta, que é especialista nos 100m e 200m, estuda propostas de disputar provas diferentes, como os 400m, e até mesmo indoor (pista coberta).

– Estou analisando. O meu foco é o Amazonas (projeto de formação de atletas). Tive propostas de disputar provas de 400m e revezamento 4x400m. Meu treinador nos Estados Unidos disse que eu também posso competir na categoria indoor – revelou Sandro.

Dificuldades

Mas para chegar ao sonho, o caminho não é muito fácil para Sandro Viana. Atleta de alto rendimento, ele tem que encontrar formas de evoluir sozinho em Manaus e vive em um dilema se continua na cidade, sem referências para orientá-lo no treinamento, ou segue para o exterior onde, segundo ele, é o único local capaz de lhe proporcionar o que precisa.

– Tenho que fazer as coisas sozinho, é bem complicado. Aguentei por cinco ou seis anos. Suportei. É difícil. Tenho que me concentrar. Tem jogador de futebol que é contratado por clubes e geralmente migra com a família. Se eu migrar daqui, vou eu e Deus. Sem contato com a minha família e isso é muito destrutivo. Estou repensando. É uma coisa que só depende de mim – disse o velocista.

Segundo Sandro, tudo que fez em 2012 e 2013 foi sozinho: buscar contatos e conhecimento. Por isso, se considera um autodidata. Mesmo assim, o atleta diz que o sonho não acabou e, no momento, está se estabilizando.

– Se eu tivesse um Sandro Viana [ele apoia hoje atletas que estão começando] para me ajudar seria mais fácil. Nunca tive uma pessoa para me dar o apoio. Tenho que fazer as coisas sozinho, é bem complicado. Não é o dinheiro ou patrocinador. Profissionalmente é um peso que carrego sozinho. Não tenho com quem discutir uma ideia. Se eu quiser, tenho que ir para os Estados Unidos, Jamaica ou Alemanha – relatou.

Segundo Sandro Viana, um dos problemas é que Manaus não tem recebido o aval do Comitê Olímpico Brasileiro. Apesar de ter uma estrutura que foi utilizada em outros anos, não há um investimento por parte do COB para que atletas treinem na capital amazonense e aproveitem a estrutura.

– Por que não reconhecer o que já tem de pronto no Amazonas? Tenta-se buscar o que tem outros locais. Nós temos hoje mais estrutura olímpica do que o Rio de Janeiro, São Paulo ou Belo Horizonte. Por que querem fazer centro de treinamentos em outros locais? Temos estrutura, tradição, investimento, uma cidade economicamente estabilizada. Por que não criar uma estrutura olímpica aqui em Manaus? Tenho que buscar soluções para a minha carreira em outros locais. Não tem uma pessoa para me orientar. Não temos um treinador a nível olímpico aqui no Estado – completou.

Situação atual de treino

Após a temporada no primeiro semestre e se recuperar de uma tendinite, Sandro volta às rotinas de treinos na Vila Olímpica. De acordo com ele, aproveitou esta semana para realizar treinos que fortaleçam os músculos.

– Já voltei a treinar. Estou mais ou menos trabalhando para o tratamento muscular. Estou 100% recuperado. Vou ter que continuar a treinar. Estou treinando aqui em Manaus – completou.

Fonte: G1